No dia em que desisti de viver…

No dia em que desisti de viver…

Precisamente na véspera do dia seguinte
Se morresse hoje, o amanhã nasceria como o hoje
Sem mácula, o sol erguer-se-ia como hoje
Todos os outros continuariam nas suas vidas
Nem os jornais, as rádios, as televisões
Ninguém falaria de mim, o mundo existe
Eu apenas um estorvo orgânico sem pensamento…

Nada existe por mim, apenas um consumo desnecessário
Eu, um mero consumidor de recursos…
Nada me apraz ou me convence de uma falta que na faço
Nunca a fiz, nem mesmo aos bichos…

Se eu me imobilizar na morte, tudo continuará normal
Numa normalidade triste, mas perfeitamente suportável
Eu, convencido que estou, não existo, apenas consumo…
Tudo será apenas como terá de ser… Como na realidade é…

Sírio de Andrade
13/02/2018
11:35

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