O sono e voz que me inquieta

O sono e voz que me inquieta

Já adormeci no tempo
No tempo em que espero
No desespero em que adormeço
E a maldita voz que me inquieta
Uma flauta que mói, juízo
Pardacento branco sonolento
Num luzeiro azul fundo
Espera-me o sonho e o futuro
Preso entre as paredes e o muro, medo
Inquieta-me a voz do tempo
Nada me apraz que não seja o sono
E um pensamento vago do Verão
Ribeiros secos sem água que me embale
Lágrimas que se estilhaçam nas vidraças
Nada quero escrupulosamente medido
No tempo mediano da floração
Um qualquer desejo de mulher
Na futilidade e na ordinarice
De ser apenas o que é, Mulher
Com todas as formas que me inquietam
E as vozes doces que me roubam
O inquietante sono
E a triste almofada
Quente…
Onde ainda repouso
A cabeça
Que transporto acima dos ombros…

Existe o sono
E uma voz que me inquieta…
Nos corpos que se querem despidos
No leito onde repousam…

Alberto Cuddel

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