Nunca conheci ninguém que já tivesse falhado

Nunca conheci ninguém que já tivesse falhado

Os meus amigos são campeões em tudo
Nunca conheci ninguém que tivesse falhado na cama!
E eu tantas vezes reles, vilmente não consigo dormir
Tantas vezes calo e tantas vezes engulo a vergonha
De passar horas acordado olhando para o tecto…
Sem sono, pensando nos clubes deles que tudo ganham
Os meus amigos nunca perdem, tudo sabem
Tudo escrevem com alma, sem fingimento, com calma
São os mais hábeis com as palavras, perfeitos conquistadores
Numa imaginação fértil de uma espécie macho Alfa
Os meus amigos são os melhores do mundo,
Nunca são apanhados pela policia, nunca fugiram aos impostos
Nunca perderam umas eleições, nunca foram candidatos
São mesmo os melhores do mundo, é tão bom ter amigos
Tenho pena de quem não tem amigos como eu,
Mas eu tenho, amigos que nunca falham…

Januário Maria
28/05/2017
21:36

…….

…….

Não sei escrever o amor que sinto
Tão pouco pintá-lo em tela – abre-me o peito
Gestos dormentes que me caem dos braços
Braços que te ladeiam no conforto do corpo
Corpo confirmado no sangue gerado, amor!

Mutilas a alma, desnudada virtude
Segues noite dentro, vontade que funde
Olhares cegos que penetram nos meus
Vida que se exprime fitando os céus!

Nas línguas que se enrolam – “Je t’aime”
Romanticismos exaustos,
– Exploramos nas mãos, fartos seios…
Na troca proibida de gemidos e beijos!

Anoitece nas sombras que pairam no tecto
Entre a prisão desejada das tuas pernas
E a liberdade concedida pela roupa
Que dorme espalhada no chão…

Alberto Cuddel

Escolhi Amar-te XXVII

Escolhi Amar-te XXVII

Não digas nada, não, não fales, escuta apenas o silêncio do teu olhar! Não, não me toques, permite-te apenas olhar o som em tua mente, que minhas mãos produzem ao acariciar-te o corpo. Não, não me ames, permite apenas que seja eu, que seja eu amar-te, amar-te-ei, por mim, por ti, até que se fundam as almas, até que se fundam os corpos, até que seja eu que te amo em ti, até que sejas tu que me ames em mim.
Hoje sou, apenas estou, presente a teu pedido, no local exacto, na hora marcada, aqui estou, ávido e sedento de te encontrar em mim, no abraço, no entrelaçado dos corpos, sofreguidão do beijo, que nos consome o ar existente em nós, e hoje, também hoje, sou, estou para ti, por ti, em ti, por eu não ser, ou estar, se um “nós” não nos consumir por inteiro!
Ama-me apenas, na verdade absoluta, de que o amor é divino, assim nos unimos, em amor, unindo os corpos ao prazer da alma!

Alberto Cuddel

Sonhos do mundo

Sonhos do mundo

Do nada que tudo serei
Te dirá a memória
Do todo o sangue das mãos
Dos sonhos que realizei!

Das noites de insónias,
Das ruas sujas, escuras
Da fome que matei
Do frio que tirei….

Tenho em mim todos os sonhos do mundo
Mas tenho em mim, mãos também…

Januário Maria
08/05/2017
9:00

Vai e vem…

Vai e vem

Movimento sincronizado
marés.. ondas… luar…
penetra, adentra, preenche
ora longo apressado
lento, vagarosamente
num gemido contido
espuma, vem, vai…
fideliza no querer…

Tiago Paixão

E é Amor?

E é Amor?

Que arte é essa presa no sentir
Poesia não é só amor, é esculpir
Poetas? Que poeta? Se a vida não pintas
Se as letras apenas se travestem, irritas
E é Amor? E solidão e desilusão?
O pobre descalço, e o rico no encalço,
E a mãe enlutada, e a perda da enteada?
E a política de engano, e promessas ao ano?
E ladrões e confusões,
E doenças e transfusões,
E as flores e as dores?
E um pedaço de pão, e a revolução?
E cantas o amor? As palavras de fugida?
Poesia é tudo, poesia é vida!

Januário Maria
04/05/2017
23:38

 

Amor pela eternidade

Amor pela eternidade

Mesmo que encontre nas feições do teu rosto

Apenas as nuvens que correm

Sei que me amas, que me amaste

Na plenitude do meu ser, hoje memória

Onde os outros te choram

Eu… ternamente sorri

Pertences-me, estás verdadeiramente em mim

O Deus que te ausentou

É o mesmo que me fortalece

Na certeza que nos uniremos

Para além da carne que hoje me suporta…

Encontro o teu sorriso espelhado

Nas manhãs, no meu reflexo…

O amor que nos une,

Jamais foi circunstância

Mas a fusão plena das almas…

Que hoje ternamente se esperam…

Alberto Cuddel

Escolhi Amar-te XXVI

Escolhi Amar-te XXVI

Pode o tempo ser gasto, no desgaste temporal das discrepâncias de humor, nem sempre aprazíveis em mim, em ti, em nós, posso desnorteado perder o norte do rumo traçado, uma pausa temporal. Podemos imiscuir-nos na fase lunar de mundos paralelos onde os nossos quereres e vontades não se cruzam, mas no limite, na nossa derradeira fronteira da nossa infelicidade, encontramo-nos um no outro, voamos, encontramos em nós o que nos fez nascer um no outro.

Encontramo-nos no abraço intemporal que nos trouxe até aqui, no beijo jurado onde selado fora o nosso segredo, no regaço teu onde adorno o meu pensamento, onde deposito e regateio as minhas ansiedades, onde me acalmas, fazes-me ver em ti e por ti, o quão distante estava meu mundo, o mundo de sonhos e de vãs ilusões, onde sem a tua bússola me perco, guiado por estrelas disformes e complexas.

Paras o tempo, apenas um pouco, para que no solavanco do comboio da vida eu caía, apenas para que me possas levantar, para me iluminares com o teu brilho de estrela da manhã, para que no sopro da vida, no teu beijo me ressuscites, para que possa nascer no teu corpo, na essência do teu perfume.

Renasço em ti, no teu corpo celeste, sou em ti pó estelar que moldas na força gravitacional da tua aura, encadeio-me nas fórmulas da física universal, num amor teológico e matemático, sabendo que se em ti existo, sem ti apenas persisto, na louca vontade de te encontrar e de te fazer nascer em mim.

No reinicio dos tempos, que parados estiveram, sobressalto temporal, quem ama, reclama presença, da ausência sentida, pela busca do encontro na fisicalidade das coisas, na noite, no dia, na manhã, na tarde, no agora, no já de ti que em mim sobrevive, recordo, insisto, persisto, escolho amar-te, hoje e sempre a cada dia!

Alberto Cuddel

Fechei os olhos e sonhei…

Fechei os olhos e sonhei…

Sonhei declamar rimas perfeitas no teu corpo
Descer nos teus lábios de mel, beijados
Construir versos na tua língua, exploração dos silêncios
Sonhei explorar escrevendo em todas as linhas do corpo
Explorei, recantos na mão que me segura a pena
Nos lábios, beijei as linhas que te elevam o pensamento
As curvas linhas dos seios, o ventre, a virtude,
Bebi na língua todo o teu prazer, longa declamação
Construindo estrofes longas, ritmadas…
Sonhei que fosses minha, exclusivamente minha
Nos movimentos perfeitos onde de te deleitas
Sincronizados quereres desejos de corpo
De alma, de vontades, dentro, fora
Dentro, fora, mescla libidinosa
Vagarosamente arrastados
Na fúria permanente do querer
Fundo, dentro, fora
Insultada alma que me inquieta
No prazer que nos jorra da alma…

No sonho de seres minha, aqui, agora, já…

Tiago Paixão

Através de ti

Através de ti…

Olho-me na vida que corre lá fora
Distante… onde eu a imagino
Lá fora…
Fora de mim
Do meu mundo
Onde me prendi
Onde me resguardo…

A vida
Corre lá fora
E eu
Eu apenas vislumbro
O reflexo de mim mesmo
Sem que alguém
Realmente me toque…
Protegido pela redoma
Pela janela virtual
Onde me prendo
Olhando…
Vendo
Através dela…
A vida que corre…
Sem que me toque nas mãos…
Sem que a sinta em mim…

Tiago Paixão

Ah, a vida!

Ah, a vida!

Ai mulher,
Se eu te entregasse a minha vida
Que farias tu com ela?
 – Se a perco a cada dia, a cada partida
Deixa o sonho propagar-se na estrela!

Ah mulher,
Se eu me perdesse por ti na vida,
Onde encontraria eu a saída,
Da dor que me corrói por fora
Que me queima por dentro, onde mora?

Ah mulher,
Dizem que é paixão, mas tenho a impressão
E plena convicção, tenho para min que não,
O Luís, esse sim tinha toda razão,
É amor o que me arde no coração!

Ah mulher,
Dizem as cartas deitadas
Que ao ser levantadas
Eterno será nosso leito
Se for amor o que tens no peito…

Ah mulher,
Apenas de ti espero,
O sim que evitará
Em mim o desespero…

Alberto Cuddel

Escolhi Amar-te XXV

Escolhi Amar-te XXV

Só me faltam dizer as palavras que não querem que sejam ditas, palavras mesmo que ditas, são duras e não gostam de entrar no ouvido, mas eu vi, eu vejo, e mesmo eu, eu próprio olho para o lado, agora aqui distante penso, quão diferente podia ter sido se eu tivesse escolhido ama-lo. Se não fosse por mais nada, para me salvar a mim Maria, pois também eu preciso ser salvo todos os dias. Fico a imaginar as lágrimas que correram, o quão triste e sisudo ficou o rosto, no seu rosto triste e frio daquele que nos salva, e que no seu rosto eu não reconheci.
A vida às vezes devia parar, alertar-nos, não deixar passar, a vida devia derrubar-nos quando decidimos olhar para o lado e esquecer que também ali devíamos amar, são eles os frutos das nossas erradas escolhas, do assobiar para o lado quando devíamos escolher, e simplesmente deixamos isso para todos os outros que se arrebatam olhando o seu umbigo, amando-se a si próprios acima de todas as coisas.
Escolho, como qualquer um de nós pode escolher nada fazer, partir ou ficar, não fazer nada ou ajudar, ou apenas olhar para o lado, seguindo nas suas vidas miseráveis lamentando-se da sua má sorte. Podia simplesmente ter escolhido ama-lo, e ter-me salvo um pouco mais um dia.
O amor pode ser a maneira ou a forma mais simples de nos encontrarmos em nós próprios e ainda assim desisti de o amar, de me encontrar na humanidade triste desolada sem nada ai deitada naquela rua, pedindo apenas um trabalho, um pouco de comida.
Onde para a minha humanidade, a minha escolha de Amar o próximo, o irmão, se não o amo, como podes acreditar na minha escolha Maria, como posso escolher Amar-te a cada dia, como me posso anunciar como fiel ao Pai, se meramente olho para o lado, onde não me incomoda a miséria humana da falta de amor.
Hoje não escolhi e falhei, passarei outro dia, reparando a falha de hoje, e sim, amanhã escolherei ama-lo!…

Alberto Cuddel

Cavalgando nos sonhos

Cavalgando nos sonhos

Deixei que o desejo cavalgasse em mim
Manhãs claras…
Que as palavras impusessem o ritmo
No galope dos cascos…
Que a brisa me acariciasse
No sopro…
Deixei que o sonho me possuísse
No corpo…

Tiago Paixão

Amor que se fez em mim

Amor que se fez em mim

Sem desejos ou vontades
Apenas ser, sentir, verdades
Na crença sensível das coisas
Na honestidade desonesta
Igual e tão diferente dos outros
Outros que invejam o visível
E ele, tão puro, apenas se fez em mim…

Despois, tão distraidamente
Apenas me esqueci de mim…

Alberto Cuddel

Escolhi Amar-te XXIV

Escolhi Amar-te XXIV

Existem palavras difíceis de dizer, de escrever, frases caladas, escondidas, inconfessáveis, numa vã tentativa de ocultação de evidentes evidências…
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca aconteceu a faísca, o amor ao primeiro olhar! O primeiro olhar, acidental, casual, com a raiva a inundar-me o cérebro, como o odioso pensamento desse dia, pensava que nada mais havia a pensar, que nunca mulher nenhuma me conquistaria, absorto nesse meu pensar, olhei o teu olhar sem o ver sorrir, pois nada retive na minha distraída e absorvida retina.
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca senti as borboletas nos estômago, não tive sequer tempo para a ansiosa espera, tudo foi tão concisamente decidido na nossa demasiada maturidade juvenil. Decidi amar-te na segunda vez que te vi, primeira vez que verdadeiramente nos olhamos, em que nossos olhos demoradamente conversaram em profundidade, decidi amar-te na recepção das tuas primeiras letras, na correspondência linguística de um sim, um definitivo sim, em que a distância nada significava.
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca o poder da paixão tomou conta do meu corpo, no desespero exacerbado do tempo que nos mantinha afastados, nunca senti uma paixão finita em crescendo, até ao limbo do desejo absoluto de me realizar apenas em ti. Tudo foi naturalmente partilhado, medos e conquistas. Tudo foi tão naturalmente decidido, ponderado escolhido, numa decisão repentina de agora ou nunca, não, não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, pois escolhi amar-te na primeira vez que nossos olhares se beijaram.

Alberto Cuddel

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